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Estudo de Caso

Page history last edited by Márcia Regina 2 years, 10 months ago

 

Sujeito do Estudo de Caso

Realizarei as atividades com base nos dados coletados e na observação diária de um aluno meu, “M”.

O referido aluno é portador de retardo mental moderado, consequência de uma meningite adquirida na primeira infância.

 

 

A saber: não me foi apresentado nenhum laudo que ateste a condição de M. Contudo, algumas professoras mais antigas na escola, e que conhecessem e convivem com a família desse aluno há anos, puseram-me a par da história. Posteriormente tive a oportunidade de conversar com a mãe de M.


 

M tem 15 anos, cursa o terceiro ano do ensino fundamental e reside com sua família na vila Piratini, em Alvorada.

M tem três irmãos vivos e uma irmã já falecida (em função da meningite também). Seus pais são catadores de resíduos urbanos recicláveis. E é desta atividade que provém parte do sustento da família; a outra parte vem dos programas assistenciais do governo federal.

M reside em um barraco muito próximo à escola, onde não existem chuveiro quente tampouco televisão. Apenas um rádio serve de entretenimento à família.

No pátio da pequena casa muitas galinhas ciscam soltas. Conforme M, eventualmente um animal é abatido para o consumo familiar.

Os pais de M são analfabetos. Além disso, o pai é usuário de álcool em demasia.


 

Conforme afirmei anteriormente, M não possui qualquer registro oficial de sua deficiência. Todavia, a mãe do aluno costuma dizer que “ele tem problema”. Conforme ela, ele faz uso de um medicamento diário: “o M toma remédio pros nervos!” Porém não consegui identificar qual é o nome do medicamento pois a mãe não soube dizer.

De acordo com uma professora que conhece M de longa data, seu caso é de retardo mental moderado.

Na escola M frequenta o Laboratório de Aprendizagem periodicamente. Externamente, existem os atendimentos na sede do CIR.


 

Em 2008 M estudava em uma turma de segunda série cuja sala situava-se bem em frente a minha. Portanto, presenciei inúmeras situações vividas por M junto a sua antiga professora.

Lembro-me de que M xingava sua professora com palavrões, batia e chutava classes e cadeiras constantemente. Além disso, M arranjava brigas e confusões durante os recreios. E, M tinha o hábito de fugir da sala de aula, negando-se quase sempre a retornar.

M cursou cinco vezes a primeira série.

Segundo sua última professora de primeira série, ele avançou para a segunda série devido a múltipla repetência; ocorreu um consenso entre professora e direção.

Uma vez na segunda série, ele reprovou mais duas vezes; o sistema mudou e o ensino fundamental passou a ter nove anos de duração; então, M foi incluído em minha turma de terceiro ano.

Atualmente M anda tranquilo. Mas não foi assim desde o início do ano. Tivemos alguns atritos... mas logo, com auxílio da direção da escola e do CIR aliados a retomada da medicação que havia sido interrompida, M tornou-se sociável.

Em sala de aula ele é tratado com naturalidade pelos colegas. Sua postura é a seguinte: senta-se ao fundo da sala e copia tudo o que é passado no quadro, contudo, não resolve atividade alguma. Sua caligrafia cursiva é bonita e seu caderno é organizado. M lê, mas somente palavras isoladas; num contexto global (um texto, por exemplo) ele fica nervoso e diz que não sabe. Quanto aos números, M sabe somar e diminuir. Também compreende o valor social do dinheiro.

Durante os períodos destinados à recreação no pátio, M sempre joga futebol com os outros meninos.

Na sala de aula, eu não separo atividades diferenciadas para ele. M é chamado a realizar as mesmas atividades da turma, contudo a exigência é menor.

Sempre que preciso me ausentar da sala por alguns instantes, digo à turma que M, por ser o maior, irá cuidá-los. M sente-se valorizado nessas ocasiões.

A família não o vê como uma criança especial.


 

 

Bem, como já havia citado anteriormente, eu não realizo atividades distintas a serem aplicadas com M. Ele realiza as mesmas tarefas que são propostas aos demais alunos. Contudo, exijo menos dele pois sei que M tem limitações.

Conforme orientações da direção da escola, M deve ser submetido ao mesmo sistema de avaliação aplicado ao grupo. Todavia, considerando suas dificuldades e limitações, devo (conforme orientação) tentar “extrair o sumo máximo” desse aluno. Ou seja, qualquer avanço, por mínimo que seja, será considerado satisfatório.

Assim, percebe-se que há por parte da escola (e de minha parte também) um estado de conformismo. Algo do tipo: ele jamais transpassará o terceiro ano... portanto, vamos investir em socialização, elos afetivos, moldagem de hábitos e atitudes...

Pelo que observei por meio de leitura, os textos abordam a importância de ultrapassar o limiar entre o ensinar e aprender de forma mecânica, no sentido de transmissão de conhecimento. Faz-se necessário oportunizar ações significativas aos alunos, especiais ou não, através das quais eles se apropriem de novos conhecimentos e construam aprendizagens. A idéia perpassada pelos textos é de que uma turma é constituída por pessoas distintas, portanto ações distintas para a promoção da aprendizagem são esperadas do professor.

Assim, considerando o sujeito de meu estudo de caso, penso que dentro do contexto no qual M e eu nos inserimos, estou realizando um trabalho satisfatório. Uma vez que percebo os ganhos (em termos gerais) adquiridos por M. Além disso, a turma também passa por uma experiência enriquecedora, pois lidam com o “diferente” muito embora neste momento, sem se dar conta disso; talvez mais tarde, dentro de alguns anos quem sabe, os colegas de M recordem-se dele como alguém de aspecto “diferente”... ou não!

 

Comments (5)

Simone Ramminger said

at 11:19 pm on May 26, 2009

Oi Marcia! "Sua tarefa nesta unidade será iniciar o registro escrito de seu "Estudo de Caso", você deve definir quem será o sujeito de sua pesquisa e registrar as informações. Procure algum caso na sua instituição, ou numa instituição vizinha ou ainda um aluno multirepetente ou com dificuldades de aprendizagem. Lembre-se: escolha para seu estudo de um determinado sujeito do cotidiano de sua prática pedagógica." Caso precises ajuda, faça contato.
Uma ótima semana e bom trabalho!!!!
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

Simone Ramminger said

at 12:17 am on Jun 15, 2009

Marcia passei no teu dossiê e não encontrei a postagem das atividades 4 e 5. Precisas selecionar o sujeito do teu estudo de caso para realizar as atividades solicitadas. Estás precisando de ajuda? Estás com alguma dificuldade?
A atividade da unidade 6 já está disponível no Rooda, em aulas e deve ser postada até 21/06.
Qualquer dúvida, faça contato.
Um abraço, Simone - tutora sede EPNE

maurentezzari@... said

at 10:40 pm on Jul 1, 2009

Olá Marcia, o aluno que escolheste representa um caso bastante interessante. Várias questões me ocorreram ao ler: quem prescreve a medicação dele?Ele não sabe dizer o nome do remédio? Às vezes eles sabem...Quais informações tu tens sobre a história dele antes de ingressar na escola? Ele trabalha com a família? Quantos anos ele tinha quando teve meningite? A irmã teve no mesmo período?Que tipo de atividades ele gosta de fazer em aula? Como é seu desempenho oralmente? O objetivo das questões é te dar elementos para enriqueceres o dossiê. Se tiveres dúvidas, entra em contato. Um abraço, Mauren

Simone Ramminger said

at 12:11 am on Jul 2, 2009

Marcia Regina vejo que conseguiste escolher e registrar alguns dados sobre o sujeito do teu estudo de caso. Procuraste preservar a identidade do menino, isso é importante. Relatas algumas informações da história de vida dele, da sua família , como é o relacionamento dele com os colegas, professores, como é sua aprendizagem, o diagnóstico e os atendimentos complementares especializados que ele tem. Sabes quando foi feito o diagnóstico de retardo mental e por quem? Sabes alguma informação sobre os irmãos dele? A família comparece à escola quando solicitado? Sabes como é a rotina do menino fora da escola?
No texto "Deficiência Mental e Família: Implicações para o Desenvolvimento da Criança", Silva e Dessen falam sobre a importância do ambiente e da cultura para o desenvolvimento da criança: " A gama de interações e relações desenvolvidas entre os membros familiares mostra que o desenvolvimento do indivíduo não pode ser isolado do desenvolvimento da família (Dessen & Lewis, 1998)". Conseguiste ler? Vale a pena.
Aguardamos a postagem da atividade da unidade 7 até o dia 03/07.
Qualquer dúvida, faça contato.
Um abraço, Simone

Simone Ramminger said

at 7:01 pm on Jul 4, 2009

Marcia Regina vejo que iniciaste a postagem da atividade da unidade 7. Faltou comentar: Quais as contradições em relação ao que foi observado?
No texto "A rede de interações" Pistóia comenta que "o ser humano é o resultado de suas interações e a vida é a busca incessante por novos conhecimentos. Estes novos conhecimentos, de forma nenhuma, representam um investimento em vão. Eles são a efetivação do que se pretende, em termos de proposta educativa para os alunos em situação de desvantagem. São estes que constituem-se no maior desafio a ser enfrentado, pois representam a mudança radical no atual panorama educacional. Um dado extremamente relevante é que a transformação proposta pela educação inclusiva está a desacomodar todos os sujeitos envolvidos nas relações escolares, pois não são apenas os alunos em situação de desvantagem que precisam “estar inseridos”, são todos os sujeitos da prática educativa. Todos aqueles que estarão envolvidos nas transformações propostas, no âmbito educativo, buscando incessantemente o conhecimento." Que outros pontos te chamam a atenção nesse texto e que podes relacionar com a tua prática?
Podes desenvolver um pouco mais as conclusões do teu estudo de caso e fazer algumas relações com os materiais lidos e vistos ao longo do semestre. Ok?
Um abraço, Simone - tutora sede EPNE

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